sexta-feira, 2 de maio de 2014

Leitura de Abril

Continuando com um dos itens de meu projeto de 25 antes dos 25, com vocês a leitura de abril!



1. A revolta de Atlas - Ayn Rand (Volume II)
Continuando a leitura da trilogia, o segundo volume não flui tão rápido quanto o primeiro, em parte porque, ao meu ver, sofre do "problema" segundo-livro-de-uma-trilogia - serve mais para ligar a apresentação dos personagens e o início dos problemas do 1º livro com o clímax da resolução destes feita no 3º livro. Entretanto, ainda assim o livro possui partes marcantes, que deixam ainda mais clara a visão política de Ayn Rand, como o discurso de Hank Rearden. Neste, Rearden torna explícito o fato de que, em tal sociedade fictícia, a culpa recai totalmente sobre as pessoas capazes, que teriam então a obrigação moral de se auto-sacrificar voluntariamente em prol de todas as outras pessoas - um exemplo mais "concreto": pais trabalhando o dia todo pra sustentar filhos marmanjos que poderiam trabalhar, mas preferem não o fazer e ao invés disso ficam no sofá o dia todo vendo TV e reclamando da vida ("oh vida, oh céus, oh azar!").

2. A revolta de Atlas - Ayn Rand (Volume III)
Finalizando a trilogia, o ritmo desse livro é bem intenso, exceto pelo discurso de um personagem que dura por volta de... 60 páginas? Acho que a autora incluiu partes da tese dela aqui, não tem outra explicação... hahaha Seja como for, esse discurso resume bem pontos como: o indivíduo como ser produtivo responsável por sua própria felicidade, o livre mercado e a liberdade de expressão. Claro, isso tudo dentro do mundo ficional que ela criou.


Reflexões após a leitura...
Acredito que a trilogia de Ayn Rand é interessante sob o ponto de vista de que estamos nos referindo a um mundo ficcional no qual: 1) ter algum tipo de virtude significa uma imolação eterna e uma obrigação moral de auto-sacrifício; 2) consegue-se o que se deseja não por capacidade mas sim através da exploração daqueles que são mais capazes ou da troca de favores com os poderosos;  3) a razão foi abolida e tudo o que resta é a necessidade de amar as coisas não por suas virtudes, mas sim por sua falta de virtudes. Concordando com um mundo assim, estamos fazendo como vários personagens da trama, dando de ombros e perguntando "Quem é John Galt?" sem esperar por nenhuma resposta enquanto tentamos sobreviver pelo máximo de tempo que conseguirmos, de preferência levando vantagem sobre os outros.

Claro que isso não quer dizer que o mundo defendido por Ayn Rand seja perfeito - longe disso! Como dito anteriormente, os livros possuem uma pegada filosófica que muitas vezes não é simples de ser compreendida. Como peça ficcional, os livros são muito bons. Entretanto, cabe aos leitores refletir coisas como, por exemplo: por que esta seria uma das trilogias mais influentes nos EUA? Talvez porque, no seu íntimo, o que a autora realmente está defendendo é que: 1) os seres humanos devem ser individualistas/egoístas; 2) a sociedade somente deve valorizar as pessoas pelo o que elas são capazes de produzir; 3) qualquer tipo de ajuda aos mais necessitados é ruim?

Em resumo, o que estou querendo dizer é: existe a obra ficcional de Ayn Rand e os valores defendidos por Ayn Rand. Como obra, os livros fazem sentido e recomendo a leitura a todos, desde que o leitor tenha forte senso crítico - tenho que admitir que a escrita consegue ser bem manipuladora, digamos assim. Como valores ideológicos, não creio que seja bem por aí. Afinal... quando é que a combinação entre extremos e uma visão simplista de mundo conseguiram produzir algo de bom...?

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