quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Porque a amizade pode ser mais forte do que a distância - 25 Antes dos 25

Estou muito feliz de poder falar no blog sobre uma das pessoas que mais admiro e mais feliz ainda por estar cumprindo um grande desejo meu: ter uma amizade que atravessa oceanos!

Estou falando de Ayes Creeam, uma indiana que conheci no hostel de Roma em fevereiro de 2013 enquanto jantava junto com alguns amigos brasileiros que viajavam comigo nesta ocasião. Conversamos um pouco neste dia e depois saímos juntas com um pessoal, mas nada além da tradicional troca de experiências que acompanha todo turista, sobretudo os mais jovens. Nos adicionamos no Facebook antes de nos despedirmos alguns dias mais tarde, mas nunca pude imaginar que nos meses subsequentes nos conheceríamos melhor e nos tornaríamos tão próximas (mesmo com 13h de fuso horário entre nós).


Embora tenha nascido em uma pequena cidade no estado de Tamilnadu, na Índia, Ayes se mudou enquanto criança com sua família para Melbourne. É por isso que sempre me refiro a ela como "minha amiga indiana que mora na Austrália" hehehe Como se não houvesse globalização suficiente até agora, saibam que a coisa fica ainda mais interessante, pois atualmente Ayes está deixando o Peru para viajar pela América do Sul, após trabalhar como voluntária na cidade de Arequipa por cerca de 2 meses!

Fiquei extremamente agradecida por ela ter sido tão gentil e solícita em relação a uma entrevista para o blog mesmo no meio à sua vida agitada em Arequipa e seu planejamento para o mochilão que irá começar em breve. Isso só me fez admirá-la ainda mais, pois posso dizer sem sombra de dúvida que ela é uma das pessoas mais otimistas, corajosas e altruístas que já conheci em minha vida; seu blog Ayescafe reflete sua vontade de tornar o mundo um lugar melhor, assim como sua paixão por viajar e conhecer pessoas e suas histórias. Nossa amizade vem se mostrando muito frutífera para mim, tanto do ponto de vista cultural quanto de crescimento pessoal, então só tenho a agradecer, Ayes!

Mas sem mais delongas, abaixo compartilho as respostas dessa pessoa tão incrível com vocês (traduzidas da melhor forma que pude do inglês para o português). Espero que gostem e que também se sintam motivados a se engajar em algum tipo de voluntariado ou a ajudar organizações como a HOOP Peru! :)

1) Como você se apresentaria para os leitores do blog?
- Olá, me chamo Ayes e tenho 24 anos. Acabei de terminar uma graduação dupla em Artes/Comércio (que inclui também Psicologia, Espanhol e Economia) em Melbourne, Australia. No momento irei deixar Arequipa, após ensinar inglês por meio da HOOP Peru para crianças carentes da comunidade de Flora Tristan. Amo viajar e trabalhar em prol de causas socais, além de literatura, música e dança. Sou uma defensora do humanismo e procuro promover a empatia no mundo.

2) Você já trabalhou como voluntária em alguma organização voltada para causas de impacto social na Austrália?
- Sim, já ajudei a Oaktree Foundation, a Mayibuye South Africa, a Architects Without Frontiers e a AIESEC Melbourne. Escolhi trabalhar nestas organizações porque queria saber que tipo de trabalho elas promoviam e considero que aprendi bastante com cada experiência, mesmo em posições diferentes em cada uma delas.

3) Você já tinha se voluntariado no exterior?
- Alguns anos atrás fui voluntária por uma semana em um orfanato feminino quando visitava o sul da Índia. Nesse período tive a oportunidade de viver junto com as crianças residentes, que tinham entre 4 e 18 anos, e com mais duas voluntárias tentava inspirá-las e participar de suas atividades. Fiquei muito impressionada com a autossuficiência do local.

4) Por que você decidiu se voluntariar na América do Sul?
- Sempre desejei visitar a América do Sul e já faz algum tempo que estava economizando dinheiro para viver uma experiência no exterior relacionada às causas sociais, de preferência em algum local no qual eu pudesse praticar meu espanhol, desta forma me pareceu interessante unir as duas coisas assim que eu me formasse. Além disso, acredito que todo turista obtém tanto do local que visita que deve dar algo em troca para ele, para sua comunidade, e o voluntariado é uma forma de fazer isso.

5) Você pode falar um pouco sobre a HOOP Peru e por que a escolheu?
- Claro! A HOOP Peru (Helping Overcome Obstacles Peru) é uma ONG voltada para a educação de Flora Tristan, uma comunidade carente localizada na periferia de Arequipa. O objetivo da HOOP é tentar quebrar o ciclo de pobreza do local por meio da educação.


- A escolhi por vários motivos: primeiro porque um amigo meu já havia se voluntariado lá e me disse que foi uma experiência incrível! Segundo porque nunca havia dado aulas antes e essa me pareceu uma ótima oportunidade para explorar essa competência. Finalmente porque o Peru pode ser considerado um ponto central da América do Sul, então isso me daria grande flexibilidade na minha subsequente viagem - e é claro que não podemos nos esquecer de Machu Picchu!

6) Como você se inscreveu e que tipo de suporte a organização dá para seus voluntários?
- Fiz a inscrição seguindo os passos descritos nesta página. A HOOP, por ser uma ONG, não consegue prover alimentação ou hospedagem para os voluntários; todos esses custos ficam por nossa conta. Porém, ela nos recomenda alguns hostels ou casas de família para morarmos e nos encoraja a fazer atividades extracurriculares como aulas de salsa ou de espanhol, além de prover transporte de/para a comunidade de Flora Tristan.

7) Descreva rapidamente seus afazeres na HOOP Peru.
- Como professora voluntária de inglês básico 5x por semana, eu tinha que preparar as aulas todo dia no fim da manhã e sair de Arequipa às 14h rumo à Flora Tristan. As aulas começavam às 15h15, com 1h15 de duração. Depois disso supervisionava as crianças no parquinho até às 18h, chegando no hostel por volta de 19h.

8) Como foi o período de adaptação?
- Em relação à alimentação tive um pouco de dificuldades por ser vegetariana, já que nozes são caras e nos restaurantes geralmente só há arroz e batata; o clima aqui é severo, muito seco e ensolarado, então tive que redobrar os cuidados com hidratação; a altitude me incomodou um pouco no início (nota: Arequipa está cerca de 2.300 metros acima do nível do mar) e só me recuperei 100% do constante cansaço depois de 2 semanas mais ou menos. Mas me senti muito acolhida pela comunidade local e pelos voluntários de todos os lugares ao redor do mundo; tenho certeza que algumas amizades continuarão mesmo quando tomarmos caminhos separados. Além disso, Arequipa tem muito a oferecer, com museus, praças etc, além de uma animada vida noturna - com destaque para as casas de salsa!

9) Você gostou da experiência? A recomendaria?
- Certamente! Tenho certeza que qualquer pessoa com uma mente aberta terá uma experiência única ao se voluntariar na HOOP Peru. Serendipidade (nota: a arte de descobrir o inesperado) é a palavra que me vem a mente quando penso no tempo que passei aqui.

10) E sobre suas viagens? Que locais você já visitou e quais ainda pretende visitar?
- Primeiramente participei de uma excursão junto com outros voluntários para o belíssimo Colca Canyon, localizado a cerca de 160km de Arequipa.


Além disso, com alguns amigos pude visitar Cuzco, Aguas Calientes e Machu Picchu. Foi uma viagem incrível e inesquecível! 

- Como ainda estou planejando meu mochilão, não tenho planos 100% concretos, mas certamente quero visitar o Salto Angel na Venezuela, ver um pouco da Colômbia, da Argentina e de outros lugares interessantes no caminho. Meu foco são pessoas e paisagens; ouvir as mais diferentes histórias de vida e me maravilhar com a beleza e o mistério da natureza. E quem sabe em uma próxima oportunidade eu não possa visitar o Brasil? Ele é tão vasto que merece um mochilão à parte!

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